Dependência Química

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Atualmente, a questão da dependência química, tornou-se problema de saúde pública.

Dentro de critérios clínicos, necessitamos estabelecer diagnóstico dimensional, tendo em vista que cada usuário é original e único em sua patologia. Quando falamos de dependência química, incluímos a categoria mais grave, considerada uma doença, codificada pelo CID 10 e DSMIV TR; outros grupos incluem os experimentados, ocasionais e nocivos contendo critérios na CID 10, para este último grupo.
Nem todos os usuários são iguais, nem as drogas se equivalem no seu potencial de causar dependência; não se pode comparar o crack uma droga devastadora, com os solventes, por exemplo, caracterizada como droga de abuso.


Com o extraordinário avanço da neurociência, neuroimagem, neurogenética, neurofarmacologia, podemos hoje conhecer melhor e entender os circuitos neuronais envolvidos na dependência química forma mais grave de uso de spas.
Entretanto na nossa espécie, o cérebro humano tendo sido praticamente o mesmo, não houve uma “mutação genética” recente que nos faça propensão à dependência química.
Logo temos que procurar outras variáveis para o fenômeno em questão. Na sociedade atual dita pós-moderna com seus avanços e contradições estaria a “peça chave” para entendermos a alarmante consumo de substâncias psicoativas. Vivemos numa sociedade do prazer imediato, sem esforço, compromissos ou limites. No mundo capitalista em que vivemos segue valendo a lei de “oferta e procura”. Se há demanda alguém aparece para oferta-la.

E o tratamento? O que podemos dizer?

Penso que o trabalho com o dependente químico, pela sua múltipla causalidade, deve ser feito por uma equipe especialidade, que possa proporcionar um plano terapêutico individualizado.
Por enquanto as expectativas de sucesso, ainda são modestas, algo em torno de 25% nos centros de excelência. Porém com o avanço maior na compreensão do problema, num futuro talvez, breve possamos alcançar índices melhores de recuperação para os dependentes químicos e atendimento mais adequado para os familiares.
Além disso, sabemos que a comorbidade psiquiátrica é bastante elevada, algo em torno de 50% entre os usuários de spas, o que sem dúvida é um agravante significativo.

Quanto a internação em Clínicas de Recuperação especializada, indicamos apenas para os casos mais graves e por períodos limitados, no máximo 90 dias.
A vida é aqui “fora”; Clínica por melhor que seja é um ambiente “artificial”, provisório, porém necessário em algumas situações de maior risco.



Texto: Dr. Ayrton Sampaio de Oliveira
Psiquiatra e Especialista em Dependência Química

Área Restrita