Estimulação magnética transcraniana ajuda a tratar a depressão

Técnica pode aliviar sintomas de esquizofrenia e auxiliar no planejamento de neurocirurgias.

Um novo tratamento por meio de estimulação magnética transcraniana vem sendo utilizado em pacientes com depressão ou esquizofrenia, no planejamento de neurocirurgias e para pesquisas experimentais. Aprovada em 2012 pelo Conselho Federal de Medicina como prática médica no Brasil, a técnica é indolor e rápida

 

De acordo com Pedro Schestatsky, neurologista do Serviço Médico de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre-RS, a estimulação magnética transcraniana reorganiza conexões cerebrais e libera neurotransmissores dentro do cérebro, promovendo a neuroplasticidade - capacidade de guardar informações.

O neurologista aponta que, entre as principais doenças e sintomas que a estimulação magnética transcraniana trata, estão a depressão, dores crônicas na região da cabeça e sequelas de algum acidente vascular cerebral (AVC).

A técnica foi aprovada como prática médica no Brasil em 2012. Foto: Shutterstock

Segundo o Ministério da Saúde, a depressão afeta atualmente cerca de 10 milhões de brasileiros. A Organização Mundial de Saúde estima que, até 2030, a doença se torne a mais comum no mundo. A estimulação magnética transcraniana se torna uma alternativa para impedir o crescimento de casos.

No início de 2014, o National Institute for Health and Care Excellence, do Reino Unido, divulgou o resultado de uma série de estudos clínicos positivos sobre o método, que mostram resultados satisfatórios sobre sua atuação contra dores de cabeça crônicas.

A primeira pesquisa, feita com mais de 160 pessoas, apontou que, após duas horas de tratamento, 39% dos pacientes já não apresentavam nenhuma dor. Depois de 24 horas, outros 29% se sentiam melhores.

A técnica demonstrou ser útil para pessoas que não encontram alívio ou melhora em métodos convencionais para dor de cabeça, como analgésicos e anti-inflamatórios. No Brasil, a estimulação magnética transcraniana é usada para tratar sintomas de depressão e alucinações auditivas decorrentes da esquizofrenia.

Outra aplicação aprovada no Brasil é para o planejamento de neurocirurgias. A técnica pode auxiliar no mapeamento da área a ser operada para que o procedimento se torne cada vez mais preciso.

Eficácia do tratamento

Segundo Schestatsky, em qualquer tipo de tratamento, os benefícios da estimulação magnética transcraniana podem ser perceptíveis a partir da primeira semana.

“O indicado é que o paciente inicie com tratamento entre cinco e dez sessões. Dependendo da resposta nos primeiros 14 dias, decide-se sobre qual o melhor esquema de aplicação. Por exemplo, duas sessões semanais ou duas sessões quinzenais”, explica o médico.

Ainda de acordo com o neurologista, a segurança, a falta de efeitos adversos e colaterais e a focalização no cérebro são algumas vantagens do método.

Schestatsky aponta que é preciso uma avaliação cautelosa em pacientes que anteriormente foram submetidos a neurocirurgias ou que utilizem marca-passo cardíaco. Além disso, o cuidado também se estende a epiléticos e pessoas com histórico familiar de convulsões.

Apesar de raro, alguns pacientes que passem pela estimulação magnética transcraniana podem apresentar tontura e irritação na pele, mas de forma leve e transitória em todos os casos.


 

Fonte: http://vivomaissaudavel.com.br/saude/clinica-geral/estimulacao-magnetica-transcraniana-ajuda-a-tratar-a-depressao/

 

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